

ME CHAME DO QUE QUISER
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ALMA GÊMEA


FÉ
É algo tão íntimo e tão complexo, que fica difícil dizer alguma coisa concreta.
Eu não critico, não julgo e não fico analisando a fé alheia...
acho que ninguém tem autoridade pra isso.
Fé é coisa que a gente adquire.
Se trouxer conforto, fica com a gente pra sempre.
O que eu posso falar é da minha fé.
Daquilo que move os meus sonhos.
Eu tenho fé e ela me traz conforto, sim.
E ela tem o peso e a força de tudo o que eu penso de bom pra minha vida.
Quer saber então o tamanho da minha fé?
É imensa!
Dizer pra você ter fé pode parecer lugar comum.
Mas eu ouvi isso um dia:
"Tenha fé"...
e foi muito bom.
Hoje eu sei que, sem ela, não iria muito longe.
Dê o nome que você quiser à fé.
Chame de força, de pensamento positivo, de energia...
Chame até de intuição...
mas o importante é saber onde ela está.
E ela tem que estar aí dentro de você.
Nunca em outra pessoa, nunca na crença do outro.
Ter a fé aqui dentro transforma tudo.
Dá sentido às coisas...
e torna sonhos possíveis, por mais impossíveis que eles possam parecer.
Mesmo que a vida me pregue peças, esse sentimento não sai de mim...
porque eu não conheço uma pessoa feliz, realizada e otimista, que não tenha fé.
Lena Gino


Casamento é um Estado de Espírito
Pra começar, casamento não deveria ser um divisor de águas na vida de uma pessoa, com uma data escolhida para separar definitivamente o antes do depois.
Em vez de decidir casar, deveríamos permitir que o casamento acontecesse espontaneamente, sem que a gente nem percebesse. Comigo, sortuda que sou, aconteceu assim. Estávamos juntos havia um tempão e cada um morava no seu apartamento. Aos poucos, a cumplicidade foi aumentando, nossas roupas e discos começaram a se misturar, já não queríamos dormir separados. Não fazíamos muitos planos para o futuro, curtíamos a companhia um do outro serenamente, sem pactos nem juras de amor eterno, até que um belo dia nos demos conta de que já estávamos casados, casadíssimos, a questão era oficializar ou não. Oficializamos, assinamos os papéis, e o que mudou a partir daí? Nada. Qual é a data do nosso casamento? 13 de janeiro, 30 de março, 23 de outubro, 8 de dezembro... escolha você. Em cada dia dos nossos quatro anos de namoro a gente casou um pouquinho. O que equivale a dizer que começamos a casar no dia em que nos conhecemos: não foi um crime premeditado.
Casamento é grude? Só se o casal ambiciona o ódio mútuo. Casamento é a união de duas pessoas que têm afinidades, que gostam muito de conversar uma com a outra, de transar uma com a outra e que resolvem morar juntas porque é mais econômico e porque facilita na hora de ter filhos, que é uma aventura deliciosa a ser compartilhada. Se ambos estiverem de acordo quanto a isso, aceitarão com naturalidade que cada um tenha os próprios amigos, os próprios passatempos, suas viagens, seu trabalho, enfim, que sejam donos de uma vida individualizada e inteira, e não mutilada. Leva-se um tempo até descobrir que esse é um arranjo que funciona. Pena que, antes que o casal amadureça e chegue a esse ponto, muitos desistem por puro apego às convenções.
Você deve estar pensando: muito bem, e agora? Ela vai continuar enrolando ou vai tocar naquele ponto nevrálgico que implode a maioria das relações?
Não, ela não vai continuar enrolando. É hora de falar na dolorosa. A questão da fidelidade.
Se Jennifer Aniston continuar casada com Brad Pitt por mais dez anos, até ela, com aquele monumento em casa, vai começar a bocejar e a olhar impaciente pela janela. Não porque Brad Pitt tenha dentes feios e espinhas no rosto (foi o Rubens Ewald que disse isso; pra mim Brad segue perfeito). A razão será outra: amor e sexo não são da mesma família. O amor é de família nobre e tradicional, enquanto o sexo vem da periferia e é chegado numa promiscuidade. Nem os sentimentos mais elevados por nosso parceiro conseguem evitar que tenhamos desejos secretos e fora de hora. Desejar é humano, meritíssimo, não nos condene. Estranho seria se a gente não tivesse nenhuma fantasia, nenhuma excitação pelo que acontece do lado de fora da cela.
Homens sentem vontade de transar com outras mulheres, e mulheres sentem vontade de transar com outros homens pelas mais diversas razões: para testar seu poder de sedução, para dar um up na auto-estima, para recuperar a adolescência perdida ou porque se apaixonaram por outra pessoa inadvertidamente - arrisco até a dizer: inocentemente. Ninguém tem controle absoluto sobre si mesmo, pode acontecer com qualquer um. E aí, como se resolve?
Quem é temente a Deus reprime. Quem é temente aos olhos dos vizinhos reprime. Quem é temente a si mesmo reprime. Mas quem não quer passar o resto da vida privando-se de sonhar, de se encantar, de namorar outra vez encara e assume os riscos, que não são poucos. Muitos acabam se separando, mesmo tendo um casamento que era satisfatório. No entanto, a tal "pulada de cerca" às vezes não gera maiores conflitos internos, é apenas uma necessidade paralela.
Não é assunto fácil, tampouco é novo. É um problema antigo e cabeludo. Envolve religião e seu subproduto: culpa. Sentimos culpa por tudo. Culpa por sermos avançadas demais, medrosas demais, galinhas demais, santinhas demais. Culpa pela nossa libido, pelas nossas fraquezas, pela nossa coragem. Culpa por estarmos mentindo, omitindo, enganando. Por ter permitido que o casamento chegasse a esse ponto de fragilidade - ou de segurança extrema, acreditando que tudo será perdoado e compreendido.
Casamento é um compromisso sério, mas não deveria significar prisão, submissão, anulação, obediência e tudo mais que caracteriza uma relação tirânica. Casamento deve significar amizade, sexo, respeito, diversão e companhia. Casamento tem que ser alegre, tem que ter sintonia, liberdade e muito jogo de cintura. Casamento não é brincadeira de criança, mas tem que ser leve, e é imprescindível que haja maturidade e - atenção - inteligência! A burrice é inimiga das relações, ela é que permite o surgimento de mesquinharias, preconceitos, implicâncias e ciúmes doentios. Casamento tem que ser aberto, não necessariamente no sentido sexual - isso é negociado caso a caso -, mas aberto para a renovação, para a conversa franca, para as necessidades de cada um, para a intimidade que vai além dos corpos, intimidade de almas, intimidade que permite a gente enxergar o outro, aceitar o outro e viver de maneira menos repetitiva e convencional. Cada casamento exige uma fórmula própria, cada casal inventa a sua, mas de uma coisa não se pode prescindir: da flexibilidade.
Parece facílimo, mas é um deus-nos-acuda. De tudo o que foi dito, a única conclusão a que chego é que os casamentos seguirão desmoronando se não houver uma compreensão do assunto que ultrapasse o romantismo. Amor é fundamental, mas não basta. É preciso um não-sei-quê que a gente não explica, mas sente. Algo que está no ar, no olhar, e que dispensa racionalizações.
Martha Medeiros


NÃO DESISTA NUNCA
Se você não acreditar naquilo que você é capaz de fazer; quem vai acreditar?
Dizer que existe uma idade certa, tempo certo, local certo, não existe.
Somente quando você estiver convicto daquilo que deseja e esta convicção fizer parte integrante do processo.
Mas quando ocorre este momento? Imagine uma ponte sobre um rio.
Você está em uma margem e seu objetivo está na outra.
Você pensa, raciocina, acredita que a sua realização está lá.
Você atravessa a ponte, abraça o objetivo e não olha para traz.
Estoura a sua ponte.
Pode ser que tenha até dificuldades, mas se você realmente acredita que pode realizá-lo, não perca tempo: vá e faça.
Agora, se você simplesmente não quer ficar nesta margem e não tem um objetivo definido, no momento do estouro, você estará exatamente no meio da ponte.
Já viu alguém no meio de uma ponte na hora da explosão... eu também não.
Realmente não é simples.
Quando você visualizar o seu objetivo e criar a coragem suficiente em realizá-lo, tenha em mente que para a sua concretização, alguns detalhes deverão estar bem claros na cabeça ou seja, facilidades e dificuldades aparecerão, mas se realmente acredita que pode fazer, os incômodos desaparecerão.
É só não se desesperar.
Seja no mínimo um pouco paciente.
Pois é, as diferenças básicas entre os três momentos são:
ESTOURAR A PONTE ANTES DE ATRAVESSÁ-LA Você começou a sonhar... sonhar... sonhar! De repente, sentiu-se estimulado a querer ou gozar de algo melhor.
Entretanto, dentro de sua avaliação, começa a perceber que fatores que fogem ao seu controle, não permitem que suas habilidades e competências o realize.
Pergunto, vale a pena insistir?
Para ficar mais tangível, imaginemos que uma pessoa sonhe viver ou visitar a lua, mas as perspectivas do agora não o permitem, adianta ficar sonhando ou traçando este objetivo?
Para que você não fique no mundo da lua, meio maluquinho, estoure a sua ponte antes de atravessá-la, rompa com este objetivo e parta para outros sonhos! ESTOURAR A PONTE NO MOMENTO DE ATRAVESSÁ-LA Acredito que tenha ficado claro, mas cabe o reforço.
O fato de você desejar não ficar numa situação desagradável é válido, entretanto você não saber o que é mais agradável, já não o é! Ou seja, a falta de perspectiva nem explorada em pensamento, não leva a lugar algum. Você tem a obrigação consciencional de criar alternativas melhores.
Nos dias de hoje, não podemos nos dar ao luxo de sair sem destino.
O nosso futuro não é responsabilidade de outrem, nós é que construímos o nosso futuro. Sem desculpas, pode começar...
ESTOURAR A PONTE DEPOIS DE ATRAVESSÁ-LA.
No início comentei sobre as pessoas que realizaram o sucesso e outras que não tiveram a mesma sorte.
Em primeiro lugar, acredito que temos de definir o que é sucesso.
Sou pelas coisas simples, sucesso é gostar do que faz e fazer o que gosta.
Tentamos nos moldar em uma cultura de determinados valores, onde o sucesso é medido pela posse de coisas, mas é muito mesquinho você ter e não desfrutar daquilo que realmente deseja.
As pessoas que realizaram a oportunidade de estourar as suas pontes de modo adequado e consistente, não só imaginaram, atravessaram e encontraram os objetivos do outro lado.
Os objetivos a serem perseguidos, foram construídos dentro de uma visão clara do que se queria alcançar, em tempo suficiente, de modo adequado, através de fatores pessoais ou impessoais, facilitadores ou não, enfim o grau de comprometimento utilizado para a sua concretização.
A visão sem ação, não passa de um sonho.
A ação sem visão é só um passatempo.
A visão com ação pode mudar o mundo.


Perguntas
Quantas vezes você andava na rua e sentiu um perfume e lembrou de alguém que gosta muito?
Quantas vezes você olhou para uma paisagem em uma foto, e não se imaginou lá com alguém...
Quantas vezes você estava do lado de alguém, e sua cabeça não estava ali?
Alguma vez você já se arrependeu de algo que falou dois segundos depois de ter falado?
Você deve ter visto que aquele filme, que vocês dois viram juntos no cinema, vai passar na TV...
E você gelou porque o bom daquele momento já passou...
E aquela música que você não gosta de ouvir porque lembra algo ou alguém que você quer esquecer, mas não consegue?
Não teve aquele dia em que tudo deu errado, mas que no finzinho aconteceu algo maravilhoso?
E aquele dia em que tudo deu certo, exceto pelo final que estragou tudo?
Você já chorou por que se lembrou de alguém que amava e não pôde dizer isso para essa pessoa?
Você já reencontrou um grande amor do passado e viu que ele mudou?
Para essas perguntas existem muitas respostas...
Mas o importante sobre elas não é a resposta em si...
Mas sim o sentimento...
Todos nós amamos, erramos ou julgamos mal...
Todos nós já fizemos uma coisa quando o coração mandava fazer outra...
Então, qual a moral disso tudo?
Nem tudo sai como planejamos, portanto, uma coisa é certa...
Não continue pensando em suas fraquezas e erros, faça tudo que puder para ser feliz hoje!
Não deite com mágoas no coração.
Não durma sem ao menos fazer uma pessoa feliz!
E comece com você mesmo!!!


A TRISTEZA PERMITIDA
Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia. Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.
Martha Medeiros




A vida, em si, não ensina!
É você quem decide, a cada momento, se há uma lição a ser aprendida...
Em cada alegria, em cada tristeza, em cada aborrecimento...
Ou desperdiça todos os momentos e vai vivendo aos trancos e barrancos.
Coisas boas e ruins acontecem a todos indistintamente...
Se não existe o paraíso, podemos construir um oásis de paz, em nós mesmos, no meio das guerras que as pessoas vivem...
Tudo depende da escolha.
Podemos fugir à tristeza? Não.
Podemos impedir as perdas? Não.
Podemos obrigar que nos amem? Não.
Mas podemos usar os momentos de dor, frustração e ressentimento para aprender a amar melhor...
Podemos tornar nosso trabalho mais realizador...
Podemos transformar o ódio em perdão...
O ressentimento em compreensão...
Basta tomar essa decisão!
Escolhendo a melhor forma de resolver os conflitos e aprender com eles...
Desafie a você mesmo, criando um artifício para lidar, com o negativo.
Invente um jogo em que ganhe pontos, diante de situações que você resolva com harmonia, ou perca pontos se não resistir a se fazer de vítima...
Feche as portas ao automatismo burro...
Ele faz sofrer e nos torna refém.
Podemos ser, hoje, melhores do que ontem.
Cabe a você, somente a você, escolher se os acontecimentos de ontem, hoje e amanhã, serão usados para torná-lo uma pessoa melhor...
Qual será sua escolha hoje?


Escolhas
Para valer a pena, tem de dar trabalho, tem de ser difícil, tem de demandar esforço?
Até admito que exista certa verdade nesta teoria, especialmente se considerarmos que sonhos e objetivos requerem esforços específicos, muitas vezes. Porém, há uma enorme diferença entre ‘dedicar-se com afinco’ e ‘ficar dando murro em ponta de faca’, ainda mais quando furar as mãos está a serviço de lustrar o ego.
Apostar em situações onde quase tudo está se mostrando desfavorável e contrário aos nossos esforços pode até ser uma escolha admirável quando a gente sente que realmente vale a pena arriscar e persistir, mas até neste caso é preciso que haja um limite.
Se estamos sempre perdendo o interesse quando a conquista está fácil e se excitando quando está difícil, é hora de refletirmos sobre o que é que estamos querendo provar para nós mesmos ou para os outros: que somos capazes de atingir nossos objetivos custe o que custar?
Porque se for isso, estamos seguramente nos deixando dominar por um ego infantil e tolo. Enganados sobre o que seja determinação. E aí... se conseguimos, em geral terminamos descobrindo que não é bem isso o que desejávamos! O ‘prêmio’ perde a graça e a dinâmica recomeça...
Feito crianças mimadas, descartamos o que temos e corremos atrás do que não temos, presos a uma rotatória que não nos leva a lugar algum. Por fim, perdemos a chance de alcançar objetivos e realizar sonhos que realmente nos preencheriam e desperdiçamos tempo demais com o que não passa de um capricho.
...chegará o momento em que você já não saberá o que realmente quer. Tudo vira guerra, competição, disputa... Contra quem?!? Contra si mesmo, contra sua teimosia e seus enganos. E assim, não importa o que você ganhe, pois terminará sempre com a sensação de que falta algo...
Martha Medeiros


A saída é ser feliz
Nem sempre as coisas andam como eu planejo.
Mas eu gosto de pensar nos dias em que tudo dá certo.
Nem sempre me cerco de pessoas compreensivas e carinhosas.
Mas aí eu corro pros amigos de verdade, que me trazem tanto prazer.
Nem sempre o meu corpo acompanha o ritmo da minha mente.
Mas eu me alegro com a lembrança dos momentos em que corpo e espírito vibraram juntos.
Nem sempre sou amada da forma que mereço.
Mas busco lá nas gavetinhas da memória, os amores sinceros que tive.
Nem sempre consigo achar conforto nas minhas orações.
Mas me consola saber que eu não abandonei a fé.
Vida nem sempre é justa, nem sempre é acolhedora, nem sempre é colorida.
Mas eu insito na idéia de ser feliz.
Porque não vale a pena passar pela vida carregando pesos...
Colecionando mágoas.
E já que estamos aqui...
A saída é ser feliz.
Lena Gino


A arte de pedir
Eu assisti a um filme triste, que conta a história de um rapaz que nunca saiu do coma, depois de um acidente.
A mãe sabia que ele jamais voltaria a andar, falar ou sorrir.
Na cena final, essa mãe está sentada à beira da cama do filho.
Uma amiga pergunta se ela não achava injustiça de deus que o filho dela vivesse daquele jeito.
E a mãe respondeu que deus era mais do que justo, porque quando o filho estava entre a vida e a morte, ela rezou muito.
Conformada, ela explicou:
"eu só pedi pra ele não morrer, e deus me atendeu..."
Eu lembrei desse filme porque eu acredito que
O desejo é uma coisa poderosa.
Eles se realizam do jeito que a gente imagina.
Por isso é importante pensar muito antes de pedir.
Seja o que for, pra quem for...
Pra deus, pro seu santo de devoção, pro universo...
Porque às vezes a gente deseja coisas que, em pouco tempo, não vai querer mais.
Ou pedir coisas erradas.
Por isso eu aprendi a pedir só o que eu necessito.
Só o que vai me fazer feliz.
Porque eu acredito no desejo...
Ele se reliza mesmo!
Sendo assim, peça com inteligência...
Ah, e quando for atendido, agradeça de coração...
Lena Gino


Bicho é família
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Homem na cozinha
Todo homem sofre da "síndrome Paulo Maluf" e pensa que tudo na vida dele deve ter cara de grande obra.
Comida, por exemplo.
Tem coisa mais irritante que homem na cozinha?
Pois os moços passaram séculos longe do fogão e, como não poderia deixar de ser, no momento em que colocaram os pés 44 naquele território, viraram todos, chefs.
Você dá o maior duro azarando o cara, finalmente, descola um convite e sai de casa, crente que "quer jantar na minha casa?"
Significa "oba, vai rolar sexo"!
Toca a campainha vestida para matar sob o modelito vermelho, levando debaixo do braço aquele tinto francês que comprou no supermercado, seguindo seu infalível critério de "rótulo bacaninha que lembra gravura 'art nouveau' do Alphonse Mucha".
Aqui, primeira dica importante:
Não ouse dizer que o vinho veio do supermercado, senão você vai ouvir uma longa preleção mais ou menos na linha "eles deixam as garrafas em pé...
Blábláblá...
Vinho europeu não viaja bem...
Blábláblá...
A rolha resseca...
Blábláblá...
Também nem tente argumentar qualquer coisa, confiando naquele curso de degustação de vinhos que você fez há quatro anos, lembra?
Lembra nada!
Você saia totalmente chumbada de lá todas às vezes...
Pois para sua decepção, quem estará à porta, será uma criatura com ar grave de alquimista prestes a descobrir o segredo de Midas, reclamando da dificuldade de se encontrar uma boa pimenta jamaicana, embrulhado em um avental imenso, engomado, com monograma bordado, imaculadamente branco e, para o seu azar, sem aquela abertura atrás - e você, louca pra vê-lo cozinhando um Miojo de bumbum de fora, né?
Confessa...
É compreensível, meninas. Os homens estão sofrendo de uma espécie de novo-riquismo culinário.
Ele torrou 22 mil dólares num modelo italiano de sete bocas, com grelha, chapa infravermelha para aquecer comida e dois fornos programáveis.
Fazer as poções mágicas em panelinhas com teflon pra lavar mais facilmente?
Duas horas e meia depois, o jantar está servido.
Sabe aquele frango refogado que você faz em vinte minutos, jogando um punhado de temperos a olho?
É mais ou menos isso, só que coberto por uma finíssima fatia de manga, arrematada com umas três ou quatro lascas de gengibre.
Isso se não vier acompanhado daquele molho de ervas finas que não combina com nada, e ele insiste em colocar em tudo.
E pensar que você estava rezando pra que aquela manga fosse virar sobremesa, escoltada por uma bolota de um reles sorvetinho...
Conselho de quem não quer que você arruíne definitivamente a noite: tem de dizer que ele está "ali, ó" com Emmanuel Bassoleil.
Fim do banquete, vá arregaçando as mangas para ajudar a lavar louça.
Se deixar por conta dele, serão mais duas horas esfregando as três panelas de cobre, duas de pedra sabão e o processador de alimentos que sujou 7 peças pra picar salsinha, equipamentos rigorosamente necessários para cozinhar uns 250g de frango.
Hora do café, hora do relax, certo?
Pelo menos agora, você finalmente vai experimentar a tal grife italiana, que custou a ele uma nota preta, sem imaginar que o elogiadíssimo Blend tem cerca de dois terços de café brasileiro.
Quando a água ferve, ele grita e de um salto, chega ao coador.
Queimadura?
Não, puro horror, porque "água para café não pode ferver de jeito nenhum".
Ah, que saudades daquele tempo em que cozinhávamos com um "ajudante" tarado, encostado na gente na pia...


Fazendo as Malas
Tem gente exagerada que enche a mala até estourar, com medo de ficar sem alternativa. ![]()
![]()
Tem gente que é mais prática: coloca o mínimo e corre até o risco de esquecer coisas necessárias.
Você já notou que, mesmo sem saber, a gente faz a mala todos os dias quando sai de casa?
É a mala do nosso espírito, que deve ser arrumada com muito cuidado.
No decorrer do dia, a gente precisa de coisas fundamentais, pra que a viagem fique confortável.
Tem coisa que não vale a pena carregar.
Rancor, impaciência, culpa e má vontade, por exemplo, pesam muito e ocupam espaço demais.
Não tem rodinha que ajude a carregar essa mala.
Mala boa de carregar deve ser feita assim: encha o fundo com bom humor, sempre.
Nos cantinhos, vá espalhando tolerância, otimismo e delicadeza...
Atenção e humildade também são itens indispensáveis.
Pode abusar de tudo isso, que a mala aguenta...
Procure levar também as lições boas que você aprende com as viagens diárias.
Alguém pode precisar disso...
E é sempre bom ter à mão histórias felizes pra contar.
Ah, tem mais uma coisa:
Sorriso, beijo e abraço funcionam como um excelente kit de primeiros socorros.
Ele pode salvar o seu dia.
Então é isso...
Se você tem coisas boas pra encher a mala do seu espírito, vai perceber que, quanto mais cheia, mais leve ela fica.
E aí, você vai descobrir que a aventura de sair de casa pode ser muito divertida.
Lena Gino

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